26 8 / 2013

"… mas eu não tenho o dom. Não tenho este dom com as palavras. “

05 8 / 2013

O peso que a gente leva…

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas… E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam.

Andar na direção do outro é fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

 

05 8 / 2013

21 7 / 2013

Insônia

Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Sônia, seria mulher e não resolveria a minha insônia

É UM caminhão de lixo lá longe ou o pressurizador de água aqui em cima? Talvez um pernilongo. Não, pernilongo faz zuimmmm e isso faz roooooooom. Rom, tipo CD-ROM. Ninguém mais fala em CD-ROM. Virou só CD. Que fim levou o ROM? Tinha gente que falava RUM: CD-RUM. Naquela época, podiam fazer uma garrafa de rum em forma de CD e dar de presente pra todo mundo que falava CD-RUM. Ceder rum. “Você quer ceder rum?” Um estrangeiro talvez pedisse assim uma bebida. Se alguém tivesse me cedido um rum eu talvez já tivesse pregado o olho e não tava aqui, me revirando. Que imagem horrorosa, pregar o olho: como se alguém fosse capaz de dormir com os olhos pregados. Édipo pregou o olho, mas não foi para dormir. Preciso arrumar o armário de ferramentas. Uma vez o meu avô deu pra mim uma tábua cheia de pregos paralelamente dispostos para pendurar chaves de fenda, alicates, martelo. Os faquires dormem numa cama de pregos. E eu, que não sou faquir, não prego o olho nem sobre esse colchão de espuma. Puma é um bicho meio besta. Nariz empinado. Se é pra não ter juba, sou mais o leopardo. Ou mesmo a onça. Será que a nova posição do Brasil no cenário internacional vai deixar a onça mais gabaritada? Gabaritada. Gabarito. Ga-ba-ri-to. Otirabag. (É gabarito ao contrário.) O tira bag: o policial mala? Ou o “bell boy”, que tira as malas? “Bell boy” = menino sino. Deve ter sonhos eróticos com a Sininho. Bela duma gostosa a Sininho. Desenho animado, também, quando resolve fazer umas gostosas… Na boa, mesmo a Wilma Flintstone… M.I.L.F. Édipo é que entendia disso. Matou o pai, pegou a mãe -e não foi ao cinema, porque na Grécia antiga… Mas se for o pressurizador, porque tá funcionando, a essa hora? Não tem torneira ligada. Será que tá vazando água? É só o que faltava. Preciso ver isso amanhã. E arrumar o armário de ferramentas. Aprender francês também não seria nada mal. Tanta coisa que ainda falta fazer. Primeiro, dormir. Depois os canos, o armário, aprender francês, por que não? Começar a fazer abdominais? Taí um troço chato. Mas diz que funciona. Eu corro, corro, corro, e esses pneuzinhos, necas. Neca Mena Barreto. Quem diabos é Neca Mena Barreto? Se eu não sei quem é Neca Mena Barre-to, por que tô aqui agora, quatro e meia da manhã, de olhos abertos, no meio do quarto, na borda da cidade, ao sul do Brasil, no Ocidente do globo, girando em torno do sol, pensando em Neca Mena Barreto? NMB era uma marca dos rolamentos para skate quando eu tinha 12 anos. Eixo independente, rodas Rat Bones. Shape Powell Peralta. Tinha gente que falava “Poli Peralta”. O mesmo tipo de gente que falava CD-RUM? Who? Hum, hum. Um, dois, três. Contar carneirinhos, vamos lá. Eu tento, mas aí, putz, surge a Sininho pelada, a Wilma Flintstone, Édipo, Neca Mena Barreto. Who da hell. Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Sônia, seria mulher e não resolveria a minha insônia. O Laerte é um gênio, no traço e na vida. É um caminhão de lixo? Ou apenas o barulho dos pensamentos, o chorume sonoro das ideias que só agora eu ouço, em meio a esse silêncio ensurdecedor?

 

(Antonio Prata)

13 6 / 2013

12 6 / 2013

"… Então,que seja doce.

Repito todas as manhãs,ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.

Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce e assim por diante.

Mas,se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada (…)

Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos, eu sei…”

(Caio Fernando Abreu)

26 5 / 2013

"Lute por aquilo que você quer e não desista porque está difícil…" #Estatística2

"Lute por aquilo que você quer e não desista porque está difícil…" #Estatística2

14 4 / 2013

Quero vocês aqui, no meio das minhas coisas, respirando o mesmo ar, comendo na mesma mesa e sentando no mesmo sofá. Quero colchões na sala, filmes de madrugada e nika lambendo minha cara. Quero brigar com o tchulin porque ele é um cachorro folgado e morrer de rir (baixinho) pra mãe não acordar e mandar todo mundo dormir. Quero o pai fingindo que não tem nada a ver com a bagunça, quando na verdade, ele que armou tudo. Sinto falta das gracinhas e risadas. Quero um cabelo pra mim enrolar antes de dormir e um beijo de “Boa noite, dorme com Deus”. Quero vocês e todas essas coisas que alimentam essa inesgotável saudade.
 ”Vem e fica. Vai e volta.” 
 
Quero vcs pra mimmmm!! Numa caixinha, aqui na minha mala! 
 
♥
 
Naninha.

Quero vocês aqui, no meio das minhas coisas, respirando o mesmo ar, comendo na mesma mesa e sentando no mesmo sofá. Quero colchões na sala, filmes de madrugada e nika lambendo minha cara. Quero brigar com o tchulin porque ele é um cachorro folgado e morrer de rir (baixinho) pra mãe não acordar e mandar todo mundo dormir. Quero o pai fingindo que não tem nada a ver com a bagunça, quando na verdade, ele que armou tudo. Sinto falta das gracinhas e risadas. Quero um cabelo pra mim enrolar antes de dormir e um beijo de “Boa noite, dorme com Deus”. Quero vocês e todas essas coisas que alimentam essa inesgotável saudade.

 ”Vem e fica. Vai e volta.” 

 

Quero vcs pra mimmmm!! Numa caixinha, aqui na minha mala! 

 

 

Naninha.